terça-feira, 28 de maio de 2013

A constelação de Perseus




Perseus é uma constelação que fica na região norte do céu, não muito distante do equador celeste (a linha imaginária por onde ocorre o trânsito do sol). Está próxima das constelações de Áries e Touro. Na região desta constelação ocorre a chuva de meteoros conhecida como “Perséiades”, fenômeno em que se pode observar diversas estrelas cadentes e que é observado a mais de 2000 anos. Perseu era filho do próprio Zeus com a mortal  Danae, ele a visitou na forma de uma chuva de ouro, engravidando-a nessa forma de Perseu. As Perséiades seriam portanto uma referência a este feito do Deus dos deuses. Na Europa cristã este fenômeno é conhecido como “As lágrimas de São Lourenço”. O fenômeno é visível anualmente a partir de meados de Julho, registrando-se a maior atividade entre os dias 8 e 14 de Agosto, ocorrendo o seu pico por volta do dia 12. Durante o pico, a taxa de estrelas cadentes pode ultrapassar as 60 por hora. Podem ser observadas ao longo de todo o plano celeste, mas devido à trajetória da órbita do cometa Swift-Tuttle, são observáveis principalmente  no hemisfério norte e na direção Norte do céu. Pra esse fenômeno ser visualizado no Brasil, é necessária uma região de pouca poluição luminosa e com poucas obstruções na região norte. Quanto mais ao Norte do Brasil, mais provável de se conseguir visualizar alguma coisa.


    
Na Mitologia, Perseu foi um grande herói, protegido pela deusa Atena. Não à toa essa constelação fica bem próxima da constelação de Áries, signo que tinha Atena como guardiã de acordo com Manilus. Um dos seus feitos mais importantes  foi a aniquilação da Medusa, entidade mitológica monstruosa que tinha serpentes no lugar dos cabelos e que transformava em pedra quem olhasse pra ela. Pra conseguir destruir a criatura, Perseu recebeu ajuda da deusa Atena, de Hermes  e de Hades que lhe confeccionaram um escudo espelhado, uma sandália alada e um elmo da invisibilidade. 



Perseu decapitou a Medusa e ainda usou a cabeça da criatura como arma em algumas de suas aventuras, incluindo a morte da Besta marinha conhecida como Cetus, salvando Andrômeda que seria devorada pelo monstro, até entrega-la a deusa Atena que a colocou em seu escudo. Tanto Cetus como Andrômeda tem suas próprias constelações e estão todos próximos de Perseus e Áries.   

Sua estrela mais importante em termos astrológicos está justamente na cabeça da Medusa. Essa região ficava paralela a longitude do final do signo de Áries na época dos gregos e romanos. Atualmente fica no terceiro decanato de Touro. Perseus se estende nos dias de hoje até o signo de Gêmeos (entre 22° de Touro e 10° de Gêmeos).



Algol é a estrela Beta, e fica na cabeça da Medusa, aos 26° de Touro. O nome árabe de Algol era “Al Ghul” que significa “o Demônio”, correspondendo ao olho esquerdo da Medusa. Na Astrologia tradicional essa estrela, apesar de não ser tão forte em termos de brilho, recebe uma importância gigantesca em função do seu simbolismo, geralmente relacionada a má sorte. É de fato aquilo que podemos dizer, em sentido astrológico, uma estrela maléfica, mas não deixa de ser uma estrela poderosa e tem muita relação com o poder exercido de forma tirânica, cruel e violenta. Lilly considerava essa estrela maléfica por natureza e que um planeta conjunto a ela perdia força, como se estivesse em seu detrimento (-5 de força).



Astronomicamente, Algol é uma estrela binária do tipo eclipsante, ou seja, que perde brilho de tempos em tempos. Foram diversas as culturas a associar Algol a coisas nefastas. O povo Hebreu anterior a Cristo chamava essa estrela de “Rosh Ha Satan” que significa cabeça do demônio. Apesar de todo malefício inerente, até mesmo na mitologia, vemos que a sábia Atena deu uma utilidade para o mal representado pela cabeça da Medusa, colocando-a em seu escudo. Entre os gregos, se confeccionava amuletos de sorte que tinham a figura da medusa estampada. Podemos entender essa estrela como algo potencialmente ruim, devastador, mas que se dominado, pode ser usado para algo útil, visto que é uma estrela que significa grande poder.

Está associada à violência, a morte por decapitação ou enforcamento e a autoridade. Pode por exemplo sugerir uma pessoa muito autoritária e que por conta disso acaba atraindo muitos inimigos. O simbolismo de “perder a cabeça” pode muito bem ser figurado, indicando, por exemplo, pessoas que fazem loucuras por amor ou por poder. Há, portanto um conteúdo extremado de ambição nessa estrela.   



Capulus não é exatamente uma estrela, mas um aglomerado de estrelas, que fica na região correspondente a mão de Perseu que empunha uma espada, aos 22° de Touro. Como todos os aglomerados, Capulus pode significar obstrução, algo que impede a visão clara das coisas, como um véu a cobrir determinado assunto. Se associada ao corpo físico, pode indicar problemas de visão. Entenda os aglomerados estelares, na visão astrológica, como fatores que borram ou impedem a visão, no sentido literal e no sentido figurado.   


Mirfak é a estrela alfa, e fica no corpo de Perseu, atualmente aos 02° de Gêmeos. Apesar de ser a estrela mais brilhante da constelação, não ganhou muita importância na tradição.  
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