segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A recepção Mútua




Aviso: leigos em astrologia provavelmente vão entender muito pouco do que vai constar neste texto. É porque muito se tem falado sobre recepção mútua ultimamente e eu acho útil se esclarecer essa questão. 

Já li sobre a recepção mútua como se esse fosse um elemento de destaque em alguns livros do tipo “receita de bolo” de astrologia moderna. Seria uma forma de ligação entre os planetas em que eles funcionariam como se estivessem em conjunção. A  verdade é que o impacto da recepção mútua não é assim tão grande e as vezes esse tipo de conexão é superestimado.

Primeiro temos que entender o que é recepção: Quando um planeta qualquer está nas dignidades de outro, dizemos que ele recebe este outro. Isso pode ocorrer via domicílio, exaltação, triplicidade, termos e face, as 5 formas de dignidade essencial da astrologia tradicional. Um aspecto em que há também recepção é um aspecto mais forte, especialmente se a recepção for forte, e mesmo sem que aja mutualidade, especialmente do ponto de vista do planeta que é “recebido”.  

A recepção mútua ocorre quando o planeta A está numa dignidade do planeta B, e o planeta B está na mesma dignidade do planeta A. E ela pode ocorrer entre qualquer tipo de dignidade. O que não existe é recepção mútua através de dignidades diferentes: por exemplo, o Júpiter em Áries e Marte em Leão.  Júpiter está no domicílio de Marte, e Marte na triplicidade de Júpiter. Ambos estão sim em recepção, mas não podemos chamar isso de recepção mútua.

Quanto maior for a dignidade envolvida na recepção mútua, mais forte ela é. Mas a recepção é inútil quando os planetas estão fracos em suas próprias dignidades. Isso acontece porque, teoricamente, planetas em recepção mútua ajudam um ao outro na realização dos seus intentos. Mas se aquele que presta ajuda não tem forças por si mesmo, sua ajuda é inútil. Aí ocorre aquilo que J Lee Lehman chama, no seu livro sobre dignidades na astrologia, de “Decepção mútua”. Um exemplo disso é A lua em Capricórnio com Saturno em Câncer, ou Vênus em Áries com marte (geralmente retrógrado) em Libra.

Os autores tradicionais consideram que a recepção mútua é também inútil quando os planetas em questão não formam aspecto, porque se não há conexão real, não há como haver a troca de dignidades. Mesmo que não aja exatidão nas orbes do aspecto, é necessário que planetas em recepção mutua estejam ao menos em signos que naturalmente tem algum tipo de aspecto.

Por não se encaixarem nos esquemas de regência tradicional, planetas novos não podem estar em recepção mútua porque a questão das dignidades não  se aplica a eles, por serem geralmente muito lentos e atuarem num nível coletivo. Então Saturno em Escorpião não está em recepção mútua com Plutão em Capricórnio, ainda que haja associação entre Plutão e Escorpião, eles não entram nessa teoria aqui.

Por outro lado, neste momento vemos Marte em Capricórnio em Sextil com Saturno em Escorpião. Neste caso existe recepção mútua, e ela é forte especialmente pra saturno, já que Marte já é muito forte no signo em que se encontra e a ajuda que ele oferece pra saturno é de grande valia. Saturno, em seu turno, não tem forças onde se encontra, portanto é de pouca ajuda pra marte, que no final das contas nem está precisando tanto assim de ajuda. Quando Marte entrar em Aquário, continuará havendo recepção mútua entre Marte e Saturno em Escorpião,  mas ela será muito frágil devido a fraqueza dos respectivos planetas em seus posicionamentos originais.   

Existem autores que falam também em “troca de dignidades” entre planetas que estão em recepção mútua, mesmo quando não há aspecto entre eles. Por exemplo: Marte em Aquário e Saturno em Escorpião estão peregrinos onde se encontram, mas ficam suficientemente fortalecidos devido a recepção mútua que transfere o poder de domicílio entre eles. Na prática, mesmo a recepção mútua como descrita anteriormente atua dessa forma, mas essa questão da “troca de dignidades” serve mais pra se contabilizar o nível de ajuda oferecido pelos planetas para aqueles que usam sistemas de pontuação nas dignidades essências. Em todos os casos, quanto mais conexões, mais forte a recepção. Se dois planetas estão fortes em seus posicionamentos, conectados por recepção mútua e também por um bom aspecto como por exemplo um trígono, temos aí a perfeição.   Um exemplo disso É o Sol em Sagitário com Júpiter em Leão, ou Saturno em Gêmeos com Mercúrio em Aquário. Nestes casos, as trocas de poder são maximizadas. 
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