terça-feira, 11 de outubro de 2011

Quentin Crisp e a quadratura Capricórnio/Áries



Ontem, muito por acaso, acabei esbarrando na foto que ilustra o post quando navegava pelo Tumblr. De repente dei de cara com esta foto, é um retrato de Quentin Crisp, que despertou minha curiosidade instantaneamente, e imediatamente fui atrás de biografia, dados astrológicos e etc, pra enfim saber quem é a pessoa por trás dessa figura. Quentin nasceu no dia 25 de dezembro de 1908, aproximadamente a 12:30 (horário fornecido de memória) em Carshalton, na Inglaterra, veja o mapa abaixo:




Quando olhamos a combinação básica que forma o mapa de Crisp: Sol em Capricórnio e Ascendente Áries, e quando vemos que o regente do seu mapa é um Marte em Escorpião não somos tentados a imaginar exatamente o que ele é. Capricórnio e Áries são talvez os dois signos que mais personificam as posturas masculinas no mundo. E este sempre foi o último dentre os objetivos de Crisp: personificar modelos de masculinidade falocrática. Muito pelo contrário - ele ficou famoso justamente por sua androgenia, pelo seu comportamento consciente e propositalmente feminino, cultivado desde tenra idade. E ele foi jovem em um momento em que a homossexualidade estava longe de ser encarada como algo normal pela sociedade.

Estes dois signos - Capricórnio e Áries, personificam o homem em dois estados distintos. Áries é como o homem jovem, pleno de virilidade e completamente nulo em termos de consciência sobre os seus atos ou responsabilidade, é o espírito jovem, independente e indomável, responsável pelos eternos reinícios. Capricórnio representa o auge, a velhice, a maturidade: O homem sábio, que dominou a si mesmo e não enxerga nada a sua frente a não ser a opção de resistir e manter as coisas como elas são até o inevitável momento em que elas se esvaem, e por isso representa também decadência e decrepitude. Um é o impulso jovem e tirânico que passa por cima de tudo e de todos em nome da realização de suas vontades. O outro é o espírito decadente, que não avança e que proíbe avanços: é a personificação do conservadorismo.

A dinâmica que vemos em toda potência no mapa de Crisp portanto é a dinâmica entre o impulso masculino de afirmação versus o impulso igualmente masculino de conservação: duas forças que se anulam. E o resultado é a morte do princípio masculino, a emergência do princípio feminino, que surge como a única coisa capaz de intermediar um conflito deste porte. E assim Crisp não foi nem o homem macho alfa dominador e agressivo, e muito menos o homem conservador e materialista: as duas manifestações típicas de Áries e Capricórnio respectivamente. Crisp decidiu tornar-se uma dama de fino trato.

E analisando o mapa de Quentin Crisp, não pude deixar de perceber que o conflito que ele personifica, é  exatamente o mesmo conflito que nos cerca nos dias de hoje, só que numa dimensão muito, muito maior. Crisp manifestou isso em sua personalidade, e o que vemos é a manifestação do mesmo conflito em nível coletivo, já que atualmente somos testemunhas da quadratura entre Urano em Áries e Plutão em Capricórnio.E somente agora, em 2011, é que conseguimos ver com absoluta clareza a manifestação deste conflito na sociedade ocidental (até então tudo o que víamos se resumia as convulsões no mudo Árabe). Uma juventude impaciente que se ergue exigindo mudanças, e do outro lado as velhas oligarquias, acostumadas a sorver a energia e o dinheiro de nossa sociedade, responsáveis pelo atual estado de crise que prejudica única e exclusivamente aqueles que já não tem muito.

Mas esse conflito está se manifestando em vários níveis. E a raiz do conflito me parece que reside na convulsão dos princípios masculinos da humanidade personificados em Áries e Capricórnio, e que se digladiam agora. Vemos isso se manifestando na mídia, quando temas como a homofobia e o machismo começam a ser criticados e um sério problema de engessamento vem à tona;



Ser "homem" é um conceito que está atualmente ultrapassado, é este o conceito que está engessado. A última vez em que Plutão passou por Capricórnio foi a cerca de 240 anos. De lá pra cá o conceito de masculinidade se manteve intacto, e somente agora veremos uma renovação deste princípio. E esta renovação não me parece possível sem a emergência do poder feminino, a única coisa capaz de intermediar este conflito, como Crisp manifestou através de si mesmo.

Não significa que os homens vão todos deixar de ser homem, mas que os homems precisam repensar o significado de ser homem. E esse processo tem que ocorrer em nível coletivo. O molde antigo precisa ser abandonado e substituído. Ele não serve mais para os propósitos atuais, e a manutenção do que é velho, neste momento, representa um impedimento para o desenvolvimento e nos ameaça. A questão é que o poder e as estruturas que necessitam de mudanças estão tão enraizadas, que fica difícil tirá-las do seu lugar sem causar tremores e  sequelas. E isso se manifesta através da crise e dos distúrbios que testemunhamos agora, e através de coisas que ainda iremos testemunhar nos próximos anos: Essa quadratura entre Urano e Plutão está apenas começando. E não a toa vemos a ascenção do feminino, justamente em uma época em que princípios extremamente masculinos são colocados em xeque.

Mas enfim, voltemos ao mapa do Crisp; Ele tinha ainda o regente do Ascendente no signo de Escorpião, um poderoso Marte, dignificado e angular. A força do regente da casa 1 ajuda a explicar sua longevidade (faleceu aos 90 anos de idade) e sua capacidade de reconhecer a si mesmo e se impor em meio a um ambiente que o repudiava ( o regente da casa 1 na casa 7, dos inimigos e dos amores ). E a intensidade de Escorpião se manifestou na profunda importância que ele mesmo dava as questões de natureza sexual. Ele era uma pessoa muito densa, intensa, e encontrou através da prostituição a forma de vivenciar isso de forma constante, mas não que ele tenha obtida real satisfação através dessa escolha. Como ele mesmo disse, mergulhou na prostituição em busca de amor, mas encontrou somente degradação. E obvio, ele não foi rentboy eternamente. Na década de 40 por exemplo ele tentou se alistar no exército para lutar ao lado da Inglaterra, mas foi negado e repudiado pelo exército que o acusava de ser um pervertido.

Ele tinha ainda Vênus em Sagitário: extravagante, flamboyant, faceta que ele exerceu especialmente quando havia atingido a maturidade e a celebridade, quando publicou seu livro "the naked civil servant", uma autobiografia onde também expressa sua visão a respeito da homossexualidade. Este livro teve impacto sobre o movimento gay que era nascente ao longo dos anos 70 e ele logo se transformou em ícone deste movimento.



E tinha também uma lua em aquário, rebelde, transgressora, totalmente á frente do seu tempo. Saturno em Áries lança uma quadratura exata ao sol, o que revela uma certa melancolia e reforça os conflitos já descritos e que incluíam lições relacionadas a digestão de fracassos e vergonhas como condições para o seu amadurecimento.

Na minha opinião, o que Crisp personificou e a forma que ele encontrou para resolver seus conflitos ficam de lição para que pensemos a respeito das possíveis soluções para os conflitos que enfrentamos agora. Não me parece que se trata de uma questão de se escolher entre um lado ou outro do conflito, mas de se ir justamente em direção as partes opostas, coisa simbolizada pelos signos de Libra, as posturas neutras, e Câncer, signo que personifica a feminilidade.

De um lado temos Plutão em Capricórnio, que representa os setores da sociedade que já sorveram tudo o que havia pra ser absorvido. Do outro Urano em Áries, que representa uma juventude sedenta por oportunidades, e que instintivamente deseja apenas repetir o mesmo caminho, tirando o osso dos velhos pura e simplesmente para abocanha-lo. A solução passa longe de ir em direção a qualquer uma dessas partes. Uma nova direção precisa ser escolhida.
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