sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Livro: Fundamentos da Astrologia Tradicional



Uma sugestão de leitura externa pra variar o repertório do blog. trago pra vocês essa novidade, o livro "Fundamentos da Astrologia Tradicional", de Clélia Romano. Acabo de concluir a leitura deste livro, e confesso que fiquei muito bem impressionado. Trata-se do primeiro livro sobre Astrologia Tradicional publicado no Brasil, e não se trata de uma tradução: A autora é uma das poucas estudiosas da Astrologia Tradicional em nosso país, e neste livro ela sintetiza anos de estudos, viagens, pesquisas e muito trabalho dedicado a arte milenar da Astrologia.

O livro reúne um conteúdo básico, introdutório, sobre as regras mais gerais da Astrologia Tradicional, e uma introdução a delineação do mapa de nascimento de acordo com regras antigas da Astrologia Helenista e da Astrologia Medieval (desde os Árabes até a Europa renascentista). Mas apesar de básico, as informações encontradas aqui em geral são vistas de forma completamente dispersa em diversos livros de diversos autores de diversas épocas. A autora fez então um trabalho de reunir as principais regras da Astrologia espalhadas ao longo dos séculos, num compêndio que apresenta essas regras de forma simplificada e sintética.

Não espere que este livro o torne magicamente um “astrólogo tradicional”. Ele vai lhe mostrar as diversas frentes disponíveis de estudo, e vai caber a você o esforço de dar esta continuidade, seguindo pelas diversas vias (os diversos autores da tradição). Eu indico este livro, sobretudo para os que estão profundamente acostumados com a Astrologia Moderna e que jamais entraram em contato com a tradição. É muito melhor começar através de um astrólogo contemporâneo que nos apresente a este “novo universo”, do que mergulhar bruscamente na fonte do conhecimento, especialmente após estar tão acostumado com uma versão tão “soft”, tão plástica e tão resumida da astrologia.    

Eu conversei com a autora, Clélia Romano, que é natural de São Paulo, é psicóloga de formação e é astróloga a mais de 20 anos. Clélia topou fazer uma pequena entrevista comigo, onde conta um pouco da sua trajetória:



Como foi o seu contato inicial com a Astrologia? 

Formei-me em Psicologia pela PUC, Sedes Sapientiae, e especializei-me em Psicologia Clinica. Trabalhei em hospitais psiquiátricos e posso dizer que meu olhar evoluiu da biologia à psicologia. Mas quando me formei ainda via o homem como um ser biológico e o resultado do acaso. Apaixonei-me pela Psicanálise e me submeti à analise didática por sete anos, ingressando no Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise, onde cursei os quatro anos teóricos. Durante esse tempo meu consultório particular crescia e além disso eu dava aulas de especialização em psicoterapia para médicos e psicólogos no Instituto Sedes Sapientiae.

Posso dizer que naquele tempo eu era absolutamente descrente de qualquer coisa que não fosse apre ensível pelos sentidos. Por volta de 1983, diversas circunstâncias ocorreram em minha vida pessoal que não me pareceram explicáveis pela lógica.  Por desencargo de consciência, comprei um livro de astrologia, uma tábua de casas e as efemérides e comecei a estudar. Minha intenção era descartar a astrologia definitivamente  como crendice. No entanto, a astrologia é tão boa, que mesmo mal entendida me convenceu de que havia algum ouro por trás do muro. Um simples fato: olhar do lado de lá. E tudo não foi mais igual.
Quando um paciente falava eu só via em minha frente sua suposta carta astrológica, aquela que explicaria seu discurso. Não poder fazer uso dela era um suplicio. Quando um aluno fazia a supervisão de um caso seu, eu enxergava tudo com novos olhos: e não podia dizer nada. Entrei em crise e posso dizer que passei dois anos sem dormir repensando valores e crenças durante as madrugadas. Aquela descoberta que me tinha vindo era maravilhosa e assustadora: minha vida iria mudar inteiramente, dramaticamente. Pouco a pouco fui trocando a psicologia pela astrologia, pedi afastamento do ensino e do Instituto de Psicanálise, até que a psicologia afinal pediu afastamento de mim. Nada vinga se não receber a rega do interesse e do encantamento.

E como foi a transição para a Astrologia Tradicional? 

Bem, eu buscava um astrologia preditiva. Claro, era sensacional ver que um mapa astral proporcionava tantas informações como um teste psicológico, mas a coroação da Arte estava em sua capacidade preditiva.Se o instrumento era válido para desvendar o passado ou seus sinais, deveria fazer o mesmo em relação ao futuro.
Foi então que percebi que precisava saber mais. Ainda não havia literatura antiga traduzida e dediquei-me a estudar mais com o material de então: fiz cursos de direções primárias, de astrologia mundana...mas  sempre faltava algo.  Não conseguia aceitar que uma pessoa morresse quando suas direções secundárias apontavam um trigono de Vênus. E sim, isso ocorria. Mal suspeitava como eu estava ainda distante do que viria a aprender um dia! Por outro lado por que razão uma catástrofe esperada por um trânsito de Plutão em conjunção à Lua, simplesmente não ocorria! Fiquei desiludida e coloquei um pouco de lado a astrologia. Foi uma época, em torno de 1998, na qual escrevi romances, livros de poemas e criei um site de literatura.

Mas fazia parte de listas brasileiras de astrologia moderna e uma vez ouvi falar que Vênus se exaltava a 27 graus de Peixes. Fiquei extática. Aquilo era NOVO!
Ouvi falar do curso de Robert Zoller e resolvi compra-lo na New Library. Comprei todo material de Zoller e...bem, aquilo me pareceu a coisa mais difícil e estranha com a qual já tivesse me deparado! Achei que nunca iria aprender aquilo tudo. Delinear um mapa sem os planetas exteriores me parecia ficar indefesa contra uma multidão inamistosa de dúvidas. O desconhecido ameaçava como um punhal apontado. Mas, pouco a pouco as coisas foram se assentando. Agora sei que foi preciso ingressar numa fase específica de Mercúrio/Saturno para suportar o não saber, ter a paciência, perseverança  e introspecção para estudar todos aqueles livros.  Passar no exame do certificado foi um milagre. Jurei que não tentaria o Diploma. Afinal acabei conseguindo me formar em Astrologia Medieval em 2006.



Sendo psicóloga, qual sua opinião a respeito da abordagem moderna da Astrologia em relação ao aspecto psicológico da pessoa? Quais as principais diferenças entre a Astrologia Moderna e a Astrologia Tradicional no quesito psicológico/comportamental? 

Acho que a astrologia Tradicional pode analisar uma pessoa tão bem ou melhor que a psicologia. E acho mais: a astrologia pode fornecer ao cliente o insight de estar contido num todo maior, de fazer parte de um esquema com algum sentido e propósito. A isso chamo Sabedoria, e seu caminho é percorrido pelas ciências herméticas e não pelo raciocínio cartesiano.

Você pergunta minha opinião, como psicóloga a respeito da tradicional e da moderna, mas a questão não é essa. Se alguém pode analisar uma pessoa com propriedade este alguém é o astrólogo que conhecer melhor astrologia, e esse é o astrólogo tradicional. A questão da astrologia chamada moderna é que há uma tendência ( e eu fiz parte dela e agi assim por muitas vezes) a ficar em cima do muro e não dar um parecer direto ao cliente pelo simples motivo da insegurança do astrólogo. O astrólogo moderno não tem as devidas fermentas e usa o conceito de livre arbítrio para dizer ao cliente que ele pode "viver" um fato objetivo de forma por vezes completamente incompatível com a natureza do que o próprio astrólogo antevê.

Saber ler o mapa exige apenas que você o leia com propriedade. Se o cliente te disser que você está errado, não há o que temer, você está seguro se tiver uma boa formação. Ou você seguiu um método e pode explicar de onde veio sua conclusão, ou o próprio cliente, como ocorre muitas vezes não se conhece.


Como surgiu a idéia de escrever um livro sobre Astrologia Tradicional no Brasil e em português? Você sabe que está sendo uma pioneira, não é? E os seus projetos para o futuro em relação a Astrologia? Novos livros,Traduções? 

Muitos alunos me procuraram, desde que lancei meu site, em busca de aulas ou orientação. Mas sempre esbarravam no problema de só existirem livros traduzidos para o inglês. Uma pessoa especialmente me tocou: era uma pessoa de ótimo nível, com genuíno interesse em aprender...e eu não tinha nada a lhe oferecer pois era preciso ler, ler é primordial. E essa pessoa não lia inglês. Senti que começar do inicio, explicar triplicidades, termos, todo o fundamento bem básico da astrologia tradicional seria por repetitivo e tedioso. Então resolvi escrever um livro com todo o necessário, como uma base, ainda que rústica. Agora, refiro-me a ele, sem precisar me repetir. Dependendo da receptividade deste primeiro livro, tenho a intenção de lançar um segundo sobre técnicas especiais, quais sejam, longevidade, significador profissional e financeiro, casamento, como avaliar a envergadura social do nativo, previsão de filhos, etc. As técnicas preditivas dependem de um correta delineação, e seriam objeto de um terceiro livro. Sei que estou sendo pioneira. Mas sei também que este livro é condensado demais e que é necessário que o leitor se expanda a partir do esqueleto que forneci, seja com leituras paralelas, seja com artigos que publico frequentemente no site.



Para saber mais sobre a autora, visite o site dela: http://www.astrologiahumana.com/

Comentários
5 Comentários

5 comentários:

Paulo on 21 de janeiro de 2011 21:56 disse...

Parabéns pela entrevista!

Clelia Romano on 21 de janeiro de 2011 22:34 disse...

Ficou muito bom, Elias! Escrevi aquilo tudo como num desabafo...e não é que você publicou? Pessoal, desculpem alguns errinhos de pontuação, hem? Achei que ia ser " editada", rsrs
Clélia

marcelo dalla on 22 de janeiro de 2011 00:36 disse...

Que maravilha, meu amigo!!! Não conhecia Clelia Romano. Parabéns pelo livro, pelo trabalho, parabéns a você pela entrevista.
Quero ler este livro o quantos antes!!!! Vou compartilhar este post, ok?
abraços

Hanah on 22 de janeiro de 2011 09:46 disse...

Elias,
maravilhosa entrevista, num curto espaço de tempo, me tirou várias dúvidas, foi um toque de mágica...
Grata pela partilha !!!

Abração

Luan R on 22 de janeiro de 2011 12:54 disse...

Ansioso para comprar o meu. Já tinha imaginado que hora você ia dar umas dicas da sua biblioteca, Elias.

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