sábado, 22 de janeiro de 2011

E aí? Podemos ou não podemos escolher quando nossas crianças vão nascer?



Vamos então entender o motivo da enquete que eu coloquei no ar semana passada. O tema obviamente é livre-arbítrio, porque eu perguntei o que as pessoas acham da possibilidade de escolher a data de nascimento de um filho de acordo com a Astrologia. Minha opinião em relação a isso é flexível, porque consigo ver com clareza os prós e os contras, e a votação retratou isso, apesar de eu ser pessoalmente contrário a se efetivamente fazer isso, coisa que explicarei mais adiante.

Foram 3500 acessos no blog, e somente 82 votos no período em que a enquete ficou on line. Muito pouco. Perguntei exatamente o seguinte:

“Se fosse possível você escolheria a data de nascimento do seu filho usando Astrologia?”
Dei as seguintes opções:

#Com certeza! Tentaria fazer com que o mapa  fosse o melhor possível para o sucesso e a felicidade dele.

#Sim! Tentaria fazer com que ele nascesse com um mapa que estivesse em harmonia com o restante da família.

#Sim! Tentaria fazer com que o mapa dele indicasse uma personalidade equilibrada.

#Jamais! Confio na natureza, em deus, no acaso. O que tiver que ser será!

#Não. Não acredito em Astrologia. 

Três delas indicando um sim, cada uma com um motivo diferente justificado na astrologia, e 2 delas indicando um não. 

Veja um gráfico comparando os resultados:



E agora um gráfico comprando as 3 respostas positivas com as 2 respostas negativas.



Da pra perceber que existe praticamente um equilíbrio. A questão que está em jogo é muito mais filosófica. Bom, porque nascemos no dia em que nascemos? Será que nascemos em um momento que reflete nossa natureza, ou passamos a refletir a natureza daquele momento a medida em que nos desenvolvemos? 

Sabemos que muito do que somos é definido pela genética ainda em fase embrionária, ou seja, não tem ligação com o tempo em que se nasce, mas com os padrões fisiológicos combinados dos pais biológicos. Mas sabemos também, que muito do que somos, é condicionado pelas circunstâncias, pelas pessoas, pelo lugar e pelas condições inicias de vida.

Será que realmente há sentido em se escolher a data de  nascimento de alguém?  Boa parte do que uma pessoa vai efetivamente ser não está necessariamente apontado no mapa. Por exemplo, uma pessoa que nasce em uma família rica, mesmo com indicações de pobreza ou poucos recursos em seu mapa, não tem como ser pobre durante a maior parte de sua vida. Pra uma pessoa com todas as indicações possíveis de fortuna, que nascer em uma favela ou num país pobre, numa família pobre e numa época hostil, de guerra, fome e instabilidade, tem pouquíssimas chances de manifestar as promessas de fortuna do mapa.

Existem as pessoas que acreditam que nós escolhemos nosso mapa antes de nascer. Outras acreditam que nosso mapa é resultado de carma de vidas anteriores. Mas o fato é que o mapa reflete um modo de se lidar com a vida, com as coisas e consigo mesmo, ele não chega a refletir substancialmente as coisas em si mesmas. Ele não diz em qual família você vai nascer, não diz onde você vai viver, não diz com quem você vai se relacionar e não cobre uma série de acontecimentos que são alheios a você, mas que lhe afetam, com potencial de limitar tudo de bom ou de ruim que seu mapa promete. Ele não reflete proporções, o nível de vida que você efetivamente terá.

Mesmo que alguém efetivamente escolha a data de nascimento de alguém, até que ponto aquela escolha não será também algo predestinado? Será que há realmente escolha consciente num assunto como esse?

A escolha de uma data de nascimento, se for feita deve seguir a mesma lógica das eletivas. Mas ao fazer uma eletiva, você vai esbarrar com uma série de limitações. Você não tem como escolher um mapa que indique “plenitude” na vida de uma pessoa. Em geral você vai beneficiar metade das áreas da vida daquela pessoa, mas será também responsável pelos revezes que serão apontados eventualmente em outras áreas. E não adianta eleger um mapa que indique grandes riquezas se os pais forem pobres, a coisa não funciona dessa maneira.

Outra questão sensível: Até que ponto, realmente se pode escolher o momento do nascimento? Você tem noção dos processos fisiológicos envolvidos? Você até pode marcar uma data e horário pra cesariana, de forma a fazer com seu filho nasça em determinado momento, mas quem garante que os processos relacionados ao parto não serão deflagrados antes do momento que você escolheu? E isso pode ocorrer em função de muitos fatores!

Um parto pode ter duração imprevisível. Mesmo que você tenha escolhido o melhor horário, não tem como expelir conscientemente um bebê antes que isso seja realmente possível, ou segurá-lo até o momento “ideal”. Ele nascerá quando tiver que nascer. Você pode até escolher o dia, mas se você leva a Astrologia a sério, deve saber que o fator determinante mesmo é a hora. Além disso, uma cesariana pode se estender por mais tempo que o previsto, no caso de complicações.   

Vamos supor que você seja um animal: que você queira que seu filho nasça dentro de determinada faixa de dias, porque quer evitar que ele seja leonino (e seja orgulhosa demais), ou sei lá, ariano, pra evitar que ele “grite”. Se você for realmente uma pessoa que raciocina dessa forma, não há como evitar que seu filho grite com você: pessoas que agem como animais estimulam isso dos outros – os  gritos. Aliás, independente do signo que você escolher pro seu filho, ele gritará com você se você for alguém que age como um animal, se você não souber educa-lo e dar bons motivos pra que ele o respeite. A maior parte da personalidade do seu filho é determinada por vocês, os pais e pela vida que vocês derem a seus filhos. Não é tudo culpa da astrologia ou da genética.

Há ainda uma questão ética. Um filho não é um empreendimento seu. Trata-se de uma vida. Você não pode escolher o momento que produza o filho mais adequado pra você, porque você não está criando uma pessoa  para si, está criando um ser humano para o mundo. Como saber se a sua escolha é realmente a melhor? Você teria mesmo a coragem de assumir a responsabilidade pelo que não funcionar, caso tenha errado ao escolher o momento?

Se ao menos soubéssemos a razão de estarmos vivos, talvez fizesse algum sentido a escolha do momento de nascimento de uma pessoa. Ninguém sabe pra Quê estamos vivos. Quer dizer, biologicamente, nascemos apenas pra cumprir o papel de soberania e continuidade da espécie. Não faz muita diferença o horário, pra cumprir a este papel, cada ser humano precisa tão somente existir. Haverá sempre um encaixe nas enigmáticas engrenagens da vida pra todo o ser humano, mesmo para aqueles que nascerem com os “piores” mapas. 
Comentários
5 Comentários

5 comentários:

lourdes disse...

Muita produçao, esta trabalhando duro para a informação. Enviei a segunda pergunta. Grata, lourdes

Paulo on 23 de janeiro de 2011 02:25 disse...

"Será que nascemos em um momento que reflete nossa natureza, ou passamos a refletir a natureza daquele momento a medida em que nos desenvolvemos?"

Era isso que eu estava me perguntando um dia desses. Mas não só isso. Esse raciocínio implica uma série de outros questionamentos.

Vamos imaginar que a gente escolha o momento que vamos nascer. Se isso é verdade, que critérios usamos para fazer a escolha do nosso mapa? Será que tem um astrólogo do outro lado da vida que fica "calculando" o mapa astral de todo mundo que vai encarnar ou cada pessoa faz sua escolha? Neste último caso, partiríamos do pressuposto de que todos tem conhecimentos astrológicos (o que é bem pouco provável).

Nas outras encarnações tivemos o mesmo signo, ascendente, lua, etc., ou isso muda de uma vida para outra? Se todos mudamos com o tempo, o mapa astral retrata as mudanças psicológicas que sofremos ao longo da vida? Todo mundo muda com as experiências, vivências, amores e dissabores, ninguém permanece o mesmo até o final da vida. Mudamos quando sofremos, mudamos quando somos derrotados e quando conquistamos alguma coisa, mudamos o tempo todo.

Por outro lado, vamos imaginar que nosso mapa astral não seja uma escolha predeterminada, vamos imaginar que ele acontece natural e casualmente. Se isso é verdade, significa que em outras encarnações tivemos outros signos e, portanto, personalidades diferentes? Eu poderia ter sido, por exemplo, ariano em outra vida - o que distoa bastante do meu signo solar atual (libriano)? Dentro de nós vivem tantos egos assim?

Depois de tudo isso, fica a pergunta: o que realmente somos? Os setores de nossa personalidade são ativados por configurações astrológicas ou o mapa é apenas uma representação simbólica do que nós somos? A leitura deve ser feita de cima pra baixo ou de baixo pra cima?

Mistérios da vida!

Anônimo disse...

O relato de Luiz:

Como interessado por astrologia e pai de 1a viagem, fiquei preocupado com qual seria o mapa de minha filha. A princípio queríamos parto natural e deixar para a natureza escoher o momento. No entanto, por curiosidade, verifiquei várias possibilidades de horários e dias, e posso dizer que as variações de possibilidades de mapa são imensas no período de um mês... Com a chegada da data limite para marcar uma cesária, verifiquei várias possibilidades de mapa para a semana, de forma ter uma base para discutir a data e o horário. São inúmeras as limitações: dia útil, horário comercial, disponibilidade do médico. Não é simples "escolher" o melhor horário mesmo. O interessante é que os melhores horários seriam à noite ou de madrugada, quando achava improvável marcar uma cesárea eletiva. Fui desanimado para a consulta com a obstetra, já imaginando quais seriam as opções que ela daria, pois todos os horários comerciais eram de mapas "não muito bons"... Enfim, o que pensamos que está nas nossas mãos simplesmente não está. A grande surpresa foi que a obstetra apresentou como proposta apeas um dia e um horário, que eram exatamente o melhor dia e o melhor horário entre todos os que eu testei! E não fomos nós que propusemos o horário, foi a obstetra, sem saber dos mapas. Para minha suspresa o melho horário para ela seria realizar a cesárea à noite mesmo. Estamos aguardando para ver se o nascimento vai se confirmar no horário proposto, torcendo para ser o melhor mapa possível. Concordo com a teoria de que não se deve tentear escolhar o horário. Na prática é quase impossível conseguir escolher, são muitos fatores, o momento acaba sendo escolhido fora de nosso controle.

Anônimo disse...

Continuando o relato anterior... Minha filha nasceu já faz 5 meses. O mapa dela apresenta algumas características do meu e algumas do da mãe. Impressionante, se fosse meia hora antes ou depois, não teriam estas semelhanças! Não tem para onde correr, o bebê só nasce na hora predestinada mesmo!

Anônimo disse...

Isto aconteceu com meu filho. Esperava, sim, determinado signo (e veio), e posteriormente, durante a gravidez, não parei de olhar o "possível mapa", quase todos os dias, baseado nas 40 semanas. "O dia" era 12 de fevereiro. Fazia diversas análises do mapa...

Ele veio dia 30 de janeiro; Repleto de quadraturas com o meu mapa.

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