quinta-feira, 6 de maio de 2010

O que é a astrologia no Brasil



Quando somos acostumados apenas com uma única versão dos fatos dentro de um tema, fica difícil aceitar que as coisas podem ser diferentes, mas não se iludam, elas sempre podem ser diferentes, as coisas sempre tem o potencial de nos surpreender positivamente ou negativamente e não podemos assumir ‘posições’, mas devemos aprender a conviver com as diferentes versões. Assim é com tudo, não poderia ser diferente com a astrologia. Dêem uma olhada no vídeo abaixo, que foi postado na lista de e-mails da CNA, um vídeo que dá o que pensar e que me fez refletir a respeito do que eu vou falar aqui neste post que é um misto de desabafo, crítica e tentiva de se conscientizar sobretudo a comunidade astrológica brasileira.







Não há nenhum tipo de consenso entre os astrólogos nem mesmo em relação ao que é a astrologia. Seguramente a imensa maioria (digamos que mais de 80 % dos astrólogos que trabalham e lucram com astrologia) mostra-se ineficientes para formular um conceito do que seja a astrologia de fato; Não se trata de explicar o funcionamento da Astrologia, me refiro a uma definição pura e simples: o que é fundamentalmente a astrologia? Responder a uma simples pergunta converte-se num desafio. Uma maioria vai provavelmente balbuciar algo como “é a ciência que estuda os astros e sua influência sobre as pessoas”. Daí você pode perguntar: que influência? Existe realmente uma influência? Qual autor (astrológico) está sendo citado? Algum autor está sendo citado? Ou então você pode dizer que já existe uma ciência que estuda os astros e que já comprovou que não existe uma influência dos astros sobre a terra: A astronomia, sem a qual a astrologia seria completamente cega. Não é uma questão de explicar como funciona a astrologia. Respostas como: “Pra mim a astrologia é isso;” “Pra mim a astrologia é aquilo”; “Na minha opinião pessoal a astrologia é sei lá o quê”; abundam. E por quê? Por conta da ausência de unidade da astrologia. 

Existe uma astrologia, uma única astrologia, a ciência antiga e milenar que existe seguramente a mais de 6000 anos em diversos pontos do globo, tendo sido desenvolvida por diferentes culturas em diferentes épocas. A astrologia da Babilônia, a astrologia da China, da Índia, de Roma, do antigo Oriente Médio, do renascimento europeu e do mundo ocidental contemporâneo são diferentes versões da mesma história, são diferentes formas de se ver a astrologia ao longo do tempo e encaixadas em diferentes culturas. Mas elas são todas a mesma coisa: a ciência que estuda a passagem e a qualidade do tempo, usando os astros visíveis do sistema solar e as constelações como um relógio gigante, onde as horas são os signos e onde os ponteiros são os planetas.


Nós não estudamos o relógio, estudamos as horas. O objeto de estudo da astrologia não está no céu, portanto, está em algo que é invisível e que é inclusive pouco compreendido pela ciência formal, mesmo nos dias de hoje: o tempo. Por tratar de um tema sobre o qual existem poucas definições a astrologia não caminha por um terreno dos mais firmes, dando margem a uma elasticidade imensa dentro dos seus conceitos, o que não significa que essa elasticidade tenha algo necessariamente de bom ou ruim. Pelo mesmo motivo, o fato de a astrologia não ser um tema formal, ensinado em universidades, faz com que as pessoas nos dias de sintam-se no direito de mistifica-la, transformando-a em algo que ela originalmente não é; vemos isso quando entramos em contato com os híbridos que misturam umbanda com astrologia, espiritismo com astrologia, cabala esotérica com astrologia e por aí vai. A astrologia não é algo místico, não é esoterismo e está atualmente ancorada no local errado, justamente nos meios esotéricos.


É fato que uma imensa maioria nem se quer sabe definir aquilo com o que está trabalhando. Isso é uma coisa muito séria e é apenas o início de uma lista de problemas que se somam e mostram como a astrologia é um saber frágil nos dias de hoje. E é frágil por culpa dos astrólogos, por culpa da ausência de rigor, da iconoclastia gratuita, da negação do passado, da exclusão da necessidade de interdisciplinaridade. Um astrólogo precisa saber matemática, precisa saber trigonometria, precisa saber os fundamentos da mecânica celeste e muitos outros conceitos físicos e astronômicos, porque a astrologia se intrumentaliza deles. Quantos astrólogos hoje em dia dominam esses assuntos? Quantos astrólogos hoje em dia sabem calcular os mapas que eles geram automaticamente através dos seus softwares?  Como usar uma coisa que você não sabe o que é, não sabe da onde vêm, não sabe como é feito, calculado, enfim?

O astrólogo tem também a obrigação de conhecer a história do seu saber, a evolução do conhecimento astrológico, os contextos históricos que facilitavam ou não o fortalecimento da astrologia, todas as técnicas que existem, o porquê de certas técnicas terem sido abandonadas, qual a origem e o fundamento daquilo que se usa hoje em dia. Tudo o que é estudado seriamente é estudado desde os seus fundamentos, porque que com a astrologia e diferente? Como é que profissionais que mal sabem definir o que é aquilo com o que eles trabalham esperam ser levados a sério? Porque existe tanta resistência por parte dos próprios astrólogos em se aprofundar o estudo? Muitos ficam magoados, ofendidos, se consideram “mestres” ultrajados quando se exige deles um mínimo de rigor. A astrologia não vai ser capaz de avançar se ela não se solidificar, se as suas bases não forem definidas, se o estudo não for conduzido de uma maneira realmente séria, se não forem estabelecidos consensos mínimos.

Esse movimento que está se formando lá fora, sobretudo nos Estados Unidos precisa ser assimilado aqui no Brasil também de forma urgente. O primeiro passo em direção a isso foi dado com a criação da CNA, ainda que a intenção ao se criar a CNA não tenha sido exatamente essa. É necessário unificar a Astrologia. Não existe Astrologia moderna, não existe astrologia tradicional, não existe astrologia sei lá o quê como entidades autônomas. Existe a Astrologia como um todo. Quem quer que deseje ostentar o título de astrólogo e lucrar com esta profissão tem a OBRIGAÇÃO de conhecer todos os seus fundamentos, independente da especialização que vai adotar, independente do fato de querer adotar uma abordagem clássica, moderna, védica, enfim. As coisas não podem continuar sendo feitas de qualquer maneira.        
Comentários
2 Comentários

2 comentários:

Samsara on 6 de maio de 2010 03:18 disse...

Elias

Muito obrigada por este texto magnífico, e pelo vídeo que me emociomou muito e deu colorido a toda a mensagem que quiseste transmitir. Magnífico, muito parabens, adoraria um dia falar contigo pessoalmente sobre estes assuntos que também me são tão caros, muito importantes e que me ocupam o pensamento constantemente.
Beijinhos

Louise Scoz on 12 de maio de 2010 15:28 disse...

Concordo em gênero, número e grau. Os profissionais da astrologia têm o dever de conhecer a área onde atuam. Quer ganhar a vida fazendo isso, tem que estudar. Falando no politicamente incorreto, já deu com "a lua está em leão, reuniões sociais em vista" ou o pavor que mercúrio retrógrado causa nos pobrezinhos astrólogos. Deu né.
Sem nenhuma consistência, uma visão extremamente mecânica e saturada da astrologia. Dá para rastrear até da onde que o fulano tirou as afirmações dele... sad but true.

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