sábado, 10 de janeiro de 2009

Os quatro elementos








As qualidades dos signos falam do tipo de impulso, na forma da ação, na postura do signo num sentido mais dinâmico. Os elementos já falam de um impulso mais característico da essência do signo, da sua natureza constituinte por assim dizer, num sentido mais estático. Os quatro elementos são simbolicamente as quatro formas essenciais de manifestação da matéria, com o fogo relacionado ao conceito de energia ou radiação, a terra ao que é sólido, o ar ao estado gasoso e a água correspondendo ao estado líquido. Vemos, portanto que o termo “elementos”, empregado aqui, passa longe do conceito de elemento químico, não tendo relação alguma com os elementos da tabela periódica. É uma conceituação muito mais simbólica e antiga.



Por outro lado, Stephen Arroyo, em seu livro “Astrologia, Psicologia e os quatro elementos” afirma que os quatro elementos não são simplesmente símbolos ou “conceitos abstratos”, mas sim que se referem às forças vitais que compõe toda a criação que pode ser percebida pelos sentidos físicos. Os elementos são não somente a base da astrologia e de todas as ciências ocultas, mas abrangem tudo o que normalmente percebemos e experimentamos. Não deixa de ser verdadeiro o conceito de Arroyo, mas eu diria que os elementos são sim simbólicos, apesar de serem símbolos representativos daquilo que existe de mais primordial na natureza, ou seja, as formas de manifestação essenciais do universo como um todo.



Martin Schulman, em “a harmonia celestial” apresenta um esquema pra explicar resumidamente a natureza dos signos: “Todo nascimento (o princípio das coisas) emana da Água, Ela é o solvente universal. Quando o elemento Terra lhe é adicionado, a vida vegetal torna-se possível. Tanto a Água como a Terra são elementos inconscientes. A água flui, mas não possui consciência disso. As plantas crescem, mas, embora sejam sensíveis a muitas coisas, não possuem autoconsciência. Ao adicionar-se o elemento Fogo, a vida animal torna-se possível. Aqui encontramos o primeiro vislumbre de consciência Um animal é capaz de desviar-se de uma árvore, por possuir consciência do efeito que uma colisão com ela lhe acarretaria. Ele não deseja a experiência e, portanto, contorna a árvore, em vez de chocar-se com ela. Por isso, ele é consciente. Entretanto, ele ainda é selvagem, por carecer de mentalidade desenvolvida. A capacidade de fazer uso de uma mentalidade desenvolvida é característica do elemento Ar, que simboliza o pensamento e é reservado ao homem.”



O conceito de Schulman é interessante porque impede a sacralização de qualquer um dos elementos, impede que qualquer um deles seja visto como “superior” ou “melhor” do que o outro. A água por si mesma, sem o elemento terra é incapaz de produzir qualquer vida que seja, e a terra por si é também ausência de vida. Um é forma, outro é o elemento orgânico. Os dois juntos criam as formas de vida ditas inconscientes. O fogo associado a terra e a água produz a vida consciente e instintiva, é o sopro vital e é algo aparentemente mais nobre , mas sem condições de ser por si mesmo, sem um receptáculo (corpo = terra+água). O ar é o elemento super consciente, é a racionalidade, a inteligência, o comunicar e é aparentemente a mais refinada dentre as manifestações elementais, mas o ar sem o fogo é como um robô, sem vontades, sem emoções, sem impulsos genuínos, e continua a depender do receptáculo pra poder existir. Entramos na conceituação de Aristóteles, na indivisibilidade entre corpo e espírito, sendo o corpo o elemento negativo (terra+água) e o espírito o elemento positivo (ar+fogo), para Aristóteles corpo e espírito são entidades que até podem ser concebidas separadamente, mas que dependem da existência um do outro pra que tenham razão de existir.



Numa visão mais ocultista, segundo o Dr. Raynor Johnson (citado no mesmo livro de Stephen Arroyo que mencionei acima), os elementos também podem ser associáveis aos corpos sutis que são tipos diferentes de consciência e percepção, explicados por ele sob uma ótica parapsicológica: “A água está relacionada com o corpo emocional ou astral, um tipo de consciência dominado por anseios intensos, reações de sentimentos e desejos imperiosos. O elemento ar está relacionado com o corpo mental ou ‘causal’ e representa um tipo de consciência sintonizada com os padrões de pensamento abstratos da mente universal. O elemento terra simboliza o corpo físico e uma afinação com o mundo das formas físicas e materiais. O elemento fogo está relacionado com o corpo etérico ou vital, que atua como um transformador das energias do ar e da água, a fim de ajudar a sustentar as funções do corpo físico.”

No corpo humano podemos associar a terra aos elementos sustentadores do corpo, como ossos, pele, músculos e tecidos conjuntivos de sustentação e preenchimento, além das funções sintetizadoras das células. Podemos associar o fogo ao sistema circulatório, às funções metabólicas e aos tecidos que armazenam energia, além de uma associação com ossos e músculos no que diz respeito á locomoção. Podemos associar o ar ao sistema nervoso e respiratório, e podemos associar a água ao sistema límbico, endócrino-hormonal e também ao sistema imunológico e reprodutor.




Aleister Crowley, em “o Livro de thoth”, sobre o Tarot egípcio associa os quatro elementos aos quatro naipes do tarot e aos quatro tipos de cartas da corte, chamadas por ele de Cavaleiro, Rainha, Príncipe e Princesa. O simbolismo empregado por ele vem da cabala hebraica e corresponde aos dois elementos básicos e criadores, o fogo (princípio masculino) associado às cartas dos cavaleiros e ao naipe de paus, e a água (principio feminino) associada às cartas das rainhas e ao naipe de copas. Fogo e água seriam essenciais e existiriam por si mesmo, são pai e mãe, os princípios geradores, e os demais elementos são conseqüência das interações entre esses dois. Da interação entre pai e mãe surge o filho, o elemento ar, associado às cartas dos príncipes e ao naipe de espadas. É o elemento veiculador dos princípios do fogo e da água, seria a intelectualização daqueles princípios fundamentais. Por fim o elemento terra seria a materialização e estratificação das idéias do ar, precipuamente geradas da interação entre fogo e água. A terra seria a filha, e corresponde às cartas das princesas (ou pajens) e ao naipe de ouros.



Nas palavras de Crowley: “O sistema pagão é circular, auto-gerado, auto-nutrido, auto-renovado. É uma roda sobre cujo aro estão Pai - Mãe - Filho - Filha; eles se movem em torno do eixo imóvel do Zero; eles se unem à vontade; eles se transformam entre si; não há início nem fim para a órbita; nenhum é superior ou inferior ao outro. A equação "nada = muitos = dois = um = tudo = nada" está implícita em todo modo do ser do sistema”. Somos tentados, à primeira vista, a tentar uma hierarquização essencial dos elementos, já que fogo e água seriam as grandes geratrizes, enquanto que ar e terra seriam aparentemente secundários, os gerados, mas o próprio Crowley nos mostra que estes quatro elementos são todos essenciais por si mesmos e são todos princípios equivalentes entre si.

Em breve veremos individualmente cada um dos elementos e seus significados na astrologia.

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